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11/3/2010 11:38:00
Indústria retoma nível pré-crise

A indústria de São Paulo superou em janeiro, pela primeira vez desde o início da crise, o nível de produção que registrava em setembro de 2008, segundo mostram os resultados da pesquisa regional divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a indústria nacional ainda estava, em janeiro, em patamar 4,9% inferior a setembro de 2008 – mês de nível recorde para o setor e último momento antes dos efeitos da crise internacional –, a do Estado de São Paulo registrou, nessa comparação, alta de 0,6%.

O economista da coordenação de indústria do instituto, André Macedo, explica que nove regiões já tinham superado, em janeiro, o patamar anterior à crise. "Os resultados regionais mostraram um crescimento generalizado, entre as regiões, do setor industrial no início de 2010."
Entre as cinco regiões que prosseguem em patamar inferior ao mês anterior ao início da crise, destaca-se Minas Gerais, ainda com queda de 9% na produção. De acordo com Macedo, o resultado não revela que os mineiros estão a parte do processo de recuperação, mas que o recuo apurado na região, logo após o início da crise, foi bem superior aos demais locais e à média nacional.

Em dezembro de 2008, ante setembro do mesmo ano, o setor em Minas apresentava retração de 29,4%, ante um recuo de 20,6%, na média do País. "O Estado teve sérios problemas no final de 2008 em setores como siderurgia, mineração e automobilístico, por isso, apesar de mostrar bons resultados desde janeiro do ano passado, ainda não se recuperou plenamente",  disse.

Diversificação – Ainda de acordo com o economista do IBGE, os locais que já retornaram ao patamar pré-crise são intensivos na produção de bens intermediários como siderurgia e mineração, além de bens de consumo semi e não-duráveis. No caso de específico de São Paulo, a região tem sido beneficiada por ter a indústria mais diversificada.

A produção industrial paulista, que representa em torno de 40% da nacional, cresceu 3% em janeiro de 2010 na comparação com dezembro de 2009. Foi o sétimo aumento consecutivo, ante mês anterior. No confronto com janeiro de 2009, a indústria paulista avançou 15,6%, terceira taxa positiva consecutiva ante igual mês do ano anterior. Porém, a taxa em 12 meses na região prossegue em queda de 6,1%.

Na comparação com janeiro do ano passado, para a qual há detalhamentos setoriais, 17 das 20 atividades pesquisadas na indústria paulista registraram alta na produção, sendo que o principal destaque ficou com veículos automotores, que avançou 45,0%, impulsionado não só pela maior produção de automóveis, mas também por uma baixa base de comparação, por causa da concessão de férias em importantes empresas do setor.

Outros impactos positivos importantes foram em máquinas e equipamentos (32,7%), produtos de metal (62,9%), outros produtos químicos (23,1%), borracha e plástico (27,8%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (25,7%).

Outras regiões - Em janeiro em relação a dezembro de 2009, as regiões que registraram os principais avanços foram Espírito Santo (5,6%), Ceará e Pernambuco (com 5,4% cada) e Paraná (4,0%)

As demais altas foram observadas nos seguintes locais: região Nordeste (3,7%), Rio Grande do Sul (3,2%), São Paulo (3,0%), Pará (3,0%), Bahia (2,5%), Goiás (2,2%), Minas Gerais (1,7%), Santa Catarina (1,1%) e Rio de Janeiro (0,3%). No caso do Amazonas, houve estabilidade.

Na comparação com o mês anterior, a produção industrial nacional cresceu 1,1%, conforme divulgou o IBGE no início da semana passada. Na comparação com janeiro do ano passado, todos os locais pesquisados elevaram a produção no mesmo mês deste ano. De acordo com o documento de divulgação da pesquisa, os avanços "refletem a ampliação do ritmo produtivo e a baixa base de comparação, por conta das férias coletivas e das paralisações não programadas em vários setores em janeiro de 2009".

Com avanços acima da média nacional (16%) no primeiro mês deste ano ante igual mês do ano anterior, destacaram-se  Espírito Santo (48,5%), Amazonas (33,9%), Minas Gerais (28,8%), Bahia (23,6%), Rio Grande do Sul (20,9%), Goiás (19,8%) e Ceará (16,7%). As demais altas foram apuradas em São Paulo (15,6%), região Nordeste (11,5%), Rio de Janeiro (10,7%), Paraná (10,4%), Santa Catarina (7,9%), Pará (5,8%) e Pernambuco (1,2%).

Diário do Comércio
Agência Estado




 

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